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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Guerra Fria está morta… viva a Guerra Fria!!

A Guerra Fria está morta e congelada… e para sempre.
Provavelmente tornar-se-á numa espécie de Glestscher
Esquecido nos Alpes… para os turistas, apenas.

Há o risco de que muita gente perda os seus trabalhos
e indústrias, o seu “estilo de vida”…
o melhor exemplo é a NATO,
que, em vez de fechar a loja e regressar a casa,
está a aceitar novos membros.

É como comprar insecticidas
após todos os mosquitos terem desaparecido,
ou como armazenar insecticidas
para a sua próxima viagem ao Pólo…

Que fazemos?
Para onde vamos?
A quem baleamos?

Inventemos outro monstro!
chamemos-lhe Osama Ben Laden
ou até Saddam Hussein,
desviemos a atenção desse inimigo não existente
para uma nova ameaça de ficção…
e depois chamemos-lhe Islão.


Agora, Maomé substituiu Marx,
Meca substituiu Moscovo e
o terrorismo substituiu as revoluções.

Um factor não mudou na sua posição central:
o sionismo foi o chefe de campanha contra o comunismo,
e hoje em dia, o sionismo tem a mesma posição,
mas agora, contra o Islão
(ou melhor, contra os muçulmanos).

Nada de novo!
Apenas mudaram os nomes!

Raja Chemayel
19 de Outubro de 2007

domingo, 30 de setembro de 2007

A quem pertence Moisés?

Nascido no Egipto com um origem paterno duvidoso,
foi educado pelos faraós e praticamente sem os seus pais biológicos.

Considerar que a sua mãe era judia, seria um erro,
porque ainda não havia o judaísmo quando Moisés nasceu.
O judaísmo nasceu no dia em que Moisés recebeu os 10 mandamentos.

Por isso, quando Moisés nasceu a sua mãe não podia ser judia,
e de facto todos aqueles escravos que ele libertou do Egipto
também não podiam ser judeus.
Qualquer escravo de alguma religião ou crença pagã
podia ter-se juntado a ele na sua grande fuga…
da escravidão.
Por isso no dia D, quando começou o êxodo do Egipto,
Moisés não era judeu e o judaísmo nem sequer existia.
O que significa que os seus seguidores podiam ter sido de todo o tipo.

Para além disso, há uma grande contradição
em relação à maneira em que Deus falou a Moisés.
Enquanto que no Egipto Deus lhe teria pedido para matar
todos os primogénitos de todas as famílias egípcias e, supostamente,
também roubar os tesouros dos faraós.
2 anos depois… e 135 quilómetros pelo deserto de Sinai adentro
Deus teria pedido a Moisés para:
1 – Não matar e 2- Não roubar
Foi o mesmo Deus que viu duas versões totalmente diferentes?
Ou foi o mesmo Moisés que mudou de ladrão e assassino a profeta?

Devo aceitar e acreditar que Moisés existiu
porque a minha religião e as outras duas religiões monoteístas
o reconhecem e confirmam…
Mas a sua identidade intriga-me,
e o facto de algumas pessoas depois
o terem reivindicado como sendo exclusivamente seu.

Até agora tudo bem,
mas agora surge outro problema ou outro enigma na minha cabeça:
quando Moisés chegou à terra de Canaã,
com todas aquelas pessoas que não eram necessariamente
o “povo escolhido”
encontrou um país habitado, e não um deserto vazio,
nem desabitado, nem abandonado…
“nem à venda, nem para alugar”…
Por isso a minha pergunta é a seguinte:
Como é que Deus, supostamente, prometeria uma terra habitada
a uma multidão que não era necessariamente escolhida
e nem sequer era judia?
E em segundo lugar: o que é um judeu?
Talvez alguém que seguiu Moisés?
E a minha segunda pergunta seria: quem é israelense?
Talvez qualquer pessoa que segue David Ben Gurion…

Então, quem sou eu?
Também sou judeu?
Ou sou apenas um crente?
Visto que também Jesus e Maomé reconheciam Moisés,
seriam também eles judeus?
Ou simplesmente crentes fervorosos?
Então
A terra prometida pertence-nos a todos…
Assim como Moisés pertence a todos…


Raja Chemayel
30 de Setembro de 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2007

De que parte da Palestina é que eu sou?

Sou daquela parte
da Palestina
chamada Líbano.

Dessa aldeia palestina
chamada nação oprimida.


Dessa Palestina,
um rio enorme,
nação árabe.

O meu Jesus também era um árabe
que carregou
a cruz da humilhação,
a cruz da liberação,
a cruz da resistência
contra
o império romano
e contra o
sectarismo sionista.

O meu Jesus também era
palestino
tal como eu
e outros
200 milhões de árabes…

Jesus cresceu nas
margens do rio Nilo
e
Abraão cresceu nas
margens do rio Tigre
e
encontraram-se na nossa Palestina.

Maomé cresceu nas colinas
de Meca e acabou a entregar
a mensagem divina,
também aqui,
na nossa Palestina.

E mesmo assim ainda se atrevem a perguntar-me
de que parte sou…?


Eu respondo,
sou libanês,
nasci nas montanhas sírias,
no mar dos árabes,
debaixo do sol de Deus,
que nos dava luz, calor
e nos mostrava o Caminho.

De que parte, ainda perguntam?

Do norte do norte da Palestina,
onde o rio Jordão nasce
e
também onde o rio Eufrates
vê a luz!

Onde nasceu a
Princesa Europa.

Ao sul de Anatólia,
ao Oeste da Pérsia,
ao Norte de Aden.

Onde Maomé e Jesus se encontraram
e
onde Moisés
não pode entrar…

A Palestina é dos árabes!


Raja Chemayel
um árabe, libanês, cristão
Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Que idioma?

Mao Tse Tong falou chinês com os vietnamitas.
Karl Marx falou alemão com os russos.
Jesus da Nazaré falou aramaico com aqueles
que só rezavam em hebraico.
Maomé falou árabe com os árabes.
A Igreja Católica falou latim com os europeus.
A Igreja Ortodoxa falou grego com os russos.
A Igreja Cóptica falou Cóptico com os filhos do Faraó.
E Maomé falou árabe com os árabes.
E os Sionistas falaram iídiche com os judeus polacos.
Os israelenses tiveram de aprender primeiro hivrit, antes de falar com os etíopes.

Golda Meier falava russo com a mãe.
Isaak Rabin falava lituano com a mãe.
Ariel Sharon falava russo com a mãe.
Simon Perez falava polaco com a mãe.
Arafat falava árabe com a mãe.
Jamal Abdel Nasser falava árabe com todos os árabes.
Anwar el Sadat falava inglês apenas com os egípcios.
King Hussein falava inglês com os filhos
e
Saddam Hussein falou árabe até à hora do seu enforcamento.

Que idioma quer ouvir?
De que idioma gosta mais?
Que idioma seduz a sua mente?
Já experimentou a língua da verdade?

Eu escrevo em inglês porque o meu computador não tem o alfabeto árabe.
Falo holandês com os meus filhos, alemão com a minha mulher
francês com os meus primos,
mas árabe com a minha mãe… e falo em árabe com o meu Deus.

Raja Chemayel
Um árabe a escrever em inglês