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domingo, 9 de março de 2008

O outro muro


Desenho de Ben Heine ©

O Egipto,
ou, melhor dizendo, o regime de Mubarak
é o melhor aliado dos EUA
no Médio Oriente.
Os EUA têm a arrogância,
e a ignorância, de chamar Hosni Mubarak
um líder influente no Médio Oriente.

E eu pergunto-me:
a quem é que Mubarak pode influenciar?
com excepção dos seus guarda-costas, a sua polícia secreta,
os seus dóceis meios de comunicação e o seu parlamento à medida,
não vejo nenhum outro regime ou organização
que pudesse ser influenciado por Mubarak
Ah, sim! Desculpem!!
Esqueci-me de mencionar os seus ministros...

De qualquer maneira,
o regime de Mubarak ainda não obteve o título
da “única democracia no Médio Oriente”
nem sequer o de “democracia emergente no Médio Oriente”
Não importa!
Porque, Mubarak está a esforçar-se
para obter um título ilustre...
De facto,
recentemente ele também começou
a construir um muro fora de Gaza...
Pago pelos EUA e inspirado no muro de Sharon.

Por isso, podemos dizer que o regime de Mubarak é realmente
um verdadeiro sistema democrático emergente no qual o ocidente pode confiar
(como o Xá da Pérsia o foi uma vez, por exemplo)

Eng. Moustafa Roosenbloom
Construção e Contratos Co.
Director da Sucursal em Rafah

9 de Março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

A maior prisão do mundo… ocupada, cercada, isolada e faminta…


Desenho de Carlos Latuff ©

A única democracia no Médio Oriente
acaba de bombardear
a maior prisão do mundo.

No entanto,
esta única democracia no Médio Oriente
mantém há já 60 anos a ocupação, o cerco,
mata de fome e isola.

Tudo isto faz de Gaza, hoje,
a maior prisão do mundo… ocupada, cercada, isolada e faminta…

E finalmente,
as vítimas de Gaza morrem numa cratera de cinco metros,
provocadas por foguetes de 147.000 dólares,
enquanto no lado israelense apenas caiem foguetes de 126 dólares
que não matam ninguém,
e que fazem crateras de 50 centímetros no chão,
para além de que caiem longe do seu objectivo.

Eng. Moustafa Roosenbloom
Exportador e importador de foguetes.
6 de Março de 2008

P.S.: os tanques israelenses consomem petróleo árabe,
enquanto que Gaza não pode importar combustível
para os hospitais e as ambulâncias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Israel tem direito a defender-se


Desenho de Juan Kalvellido ©

Israel tem direito a defender-se?

Al Capone e Átila, o Huno, também tiveram esse direito.
Todas as ratazanas, vermes, micróbios e vírus
têm esse mesmo direito.
Todos os violadores e assaltantes de banco
também têm o direito de se defender.
Os 500 detidos sequestrados na Baia de Guantánamo
não têm nenhum tipo de direitos.


Israel tem direito a defender-se, a defender:
- os colonos ilegais;
- o maior exército no Médio Oriente;
- o maior complexo industrial de armas;
- um estado que se recusa a implantar todas
e cada uma das resoluções das Nações Unidas;
- um estado que não fez mais nada senão expandir-se,
ocupar, estabelecer um apartheid, limpeza étnica e colonialismo.

Será que Israel tem direito a defender-se
de uma luta de libertação legal e natural?


Raja Chemayel
15/02/08

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O homem que nunca deu a mão ao diabo



Em breve escreverei o livro “quem é quem”
na cena dos sangrentos dramas do Médio Oriente.

Embora os adjectivos a serem atribuídos a cada pessoa
seja meramente uma questão de opiniões
gostaria de ser breve e claro sobre o falecido
Dr. George Habash, El Hakeem.

Dr. George Habash
“O homem que nunca deu a mão ao Diabo,
que nunca negociou com o Diabo
e que nunca reconheceu o Diabo”.

Dr. Sherlock Hommos
Dicionarista
04/02/08

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Diz-me quem visitaste…


Desenho de Allan Macdonald ©

Diz-me quem visitaste e eu dir-te-ei quem és
Provérbio do século XXI… pelo Dr. Sherlock Hommos


Primeiro,
o George foi visitar Israel, que é composto por duas partes:
a parte roubada e a parte ocupada…
E que tem duas classes de habitantes:
os colonos e os ocupados-oprimidos.


Segundo,
o George visitou o Koweit,
uma empresa privada propriedade
de uma dinastia sunita estabelecida pelo Reino Unido
para governar uma maioria chiita e
dividir a riqueza petrolífera do Iraque…
Até “Koweit” é um nome iraquiano
derivado da cidade de Kut, no Iraque.

Terceiro,
o Bahrein, um reino não maior do que 55 campos de futebol,
que serve como paraíso fiscal para os “já sabem quem”
e como centro de intoxicação alcoólica para a classe média saudita.
Sem esquecer os serviços…
como uma base naval dos EUA para marinheiros excitados…

Quarto,
os Emirados Árabes Unidos,
um conto de fadas das mil e uma noites feito realidade,
príncipes com uma lâmpada mágica chamada petróleo
e sonhos infinitos.
A classe governante e a população local
são menos de 10% do total de habitantes actuais...
Até a polícia é uma força laboral importada!
Um santuário e uma fortaleza para as multinacionais,
o capitalismo, as evasões fiscais...
Um autêntico paraíso fiscal!
Uma fábrica de reciclagem para o dinheiro sujo internacional,
e claro, todos os príncipes governantes são,
por coincidência, pró-ocidentais!

Quinto,
o reino da Arábia Saudita,
uma monarquia absolutista,
estabelecida com o consentimento da rainha Victoria,
sem um parlamento,
sem constituição alguma…
Um país propriedade de um rei
quando o Islão proíbe qualquer monarquia.


Conclusão:
George Bush visitou os seus amigos no Médio Oriente
Bush evitou a Turquia e o Egipto,
fosse por cobardia ou por sabedoria...
Mas eventualmente foi uma decisão inteligente!

Sherlock Hommos
Perito em planeamento de viagens
14 de Janeiro de 2008

Visite também o meu blog...
Para que eu possa saber quem você é…
http://frustratedarabdiary.blogspot.com/

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Guerra e paz



Se a paz fosse benéfica para o Estado de Israel
já teríamos paz no Médio Oriente desde 1949.

Se as guerras fossem um perigo para o Estado de Israel,
não as teria planeado, provocado, nem iniciado em:
1948, 1956, 1967, (1973), 1982, 2006.

Por isso, lembre-se que para o Estado de Israel:
a paz é o perigo e as guerras são benéficas.


Raja Chemayel
muito mais breve que a história de Tolstoi
4 de Janeiro de 2008

sábado, 8 de dezembro de 2007

O mundo está em boas mãos



O Afeganistão foi invadido
porque nove cidadãos sauditas, dois iemenitas e um libanês
alegadamente fizeram o 11 de Setembro,
e nenhum era afegão.

O Iraque foi invadido
porque Saddam Hussein tinha, alegadamente,
Armas de Destruição Massiva,
que nunca teve.

O Irão vai ser invadido
porque há 4 anos, parou de desenvolver energia nuclear,
que muitos outros países têm.

O Líbano também pode ser invadido
porque a França chama os sírios no Líbano
“interferência estrangeira”.

Ou seja, o mundo está sem dúvidas em boas mãos!!

A Venezuela,
é liderada por um alegado “ditador”
que recentemente realizou um referendo democrático
e até perdeu.

Os Estados Unidos da América,
sendo alegadamente a maior democracia do mundo
vão realizar eleições presidenciais
as quais, sem as grandes contribuições financeiras
nenhum candidato sobreviveria.

Israel,
sendo a única democracia no Médio Oriente
está a negociar com as suas vítimas de desde há 60 anos.

Para além disto, o mundo está em boas mãos.

Sherlock Hommos
8 de Dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A única tragédia no Médio Oriente




Um ditador do Terceiro Mundo
só é acusado de ser um ditador
quando não concorda com o Ocidente.

Um tirano só é desculpado, se e quando
segue as instruções da Casa Branca.

Um déspota é tolerado e bem tratado,
especialmente quando segue um
guia imprimido no Pentágono.

Quantos aliados dos EUA
alguma vez fizeram eleições?
E quantos nunca perderam eleições??

Quantas centrais nucleares
estão em mãos pacíficas?
E quem define a palavra… pacífico??

Quantas vezes Israel agrediu os seus vizinhos?
E quantas vezes Israel massacrou
a sua própria população ocupada??

Quantas resoluções das Nações Unidas
são usadas como papel higiénico
pelo governo israelense??

Conhecem alguma Resolução das Nações Unidas
que foi aceite, reconhecida ou
implementada por Israel??

E finalmente, a quantos regimes se chama:
“a única democracia no Médio Oriente”?

Raja Chemayel
6 de Dezembro de 2007

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A hospitalidade é o primeiro passo de qualquer civilização


Como medir (uma) civilização?
Os métodos variam e também são numerosos,
mas a maneira mais simples seria avaliar o grau
e a qualidade de hospitalidade das pessoas
(para começar!).

Ontem, o presidente Ahmadinejad foi convidado
da Universidade de Columbia apenas para ser insultado.

O reitor da universidade, o Professor Lee Bollinger,
enquanto apresentava o Presidente Ahmadinejad,
o seu convidado, usou termos que apenas alguém
como George Bush podia merecer…

A apresentação de Bollinger mais parecia
uma pronúncia num tribunal
quando o propósito da reunião era
“ouvir o que o inimigo dos EUA tinha para dizer”.

Entre outras “jóias”, o Presidente Ahmadinejad disse:
“porque é que os palestinos tem a culpa desse holocausto?”

Deixo ao vosso critério julgar quem
foi mais educado, quem foi mais ético e honesto
e quem tinha segundas intenções
de hipócrita e cobardolas.

Quer o Presidente Ahamadinejad seja um ditador ou não,
nunca foi tratado como “Senhor Presidente”,
nem como “Senhor Doutor”… Apesar de ser ambos!!

No Médio Oriente a hospitalidade e a civilização vão juntas
e nenhuma está agora a ser observada.
E um convidado é um convidado,
que tem de ser antes de mais nada “protegido”
e respeitado, aconteça o que acontecer.

A partir de agora, esta famosa universidade norte-americana,
e o que diz representar, são questionáveis.

Qualquer turista ocidental que tenha passado apenas 10 dias
no Médio Oriente, desfruta da genuína hospitalidade
e fala dela até 6 anos depois.

A nossa hospitalidade é legendária!!

Talvez o reitor desta universidade devesse comprar
um pacote de férias económico para um hotel de 2 estrelas
a alguma parte do Médio Oriente ou ao mundo muçulmano
apenas para conhecer uma hospitalidade superior
à que ele ofereceu a um presidente e doutor.

Raja Chemayel
25 de Setembro de 2007

P.S.: A minha filha vai entrar para a universidade no próximo ano
e eu preferiria mandá-la para a Universidade do Kazaquistão
com o senhor Borat como reitor…
do que para a Universidade de Columbia com o Professor Bollinger!
Isto não é um insulto… é uma escolha cívica!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O dia em que o George chegou


Desenho de Ben Heine©

Comparemos quanta pilhagem está agora a ter lugar
no Museu Nacional Arqueológico de Bagdad
e noutras partes do Iraque, à era do regime de Saddam.

Comparemos quanto contrabando e roubo de petróleo existe agora
em comparação com os tempos em que Saddam era presidente.

Juntemos a isto violações, roubos, assaltos e por último,
mas não menos importante, a limpeza étnica generalizada.

Quantas igrejas se construíram durante o reinado de Saddam
e quantas mesquitas foram destruídas desde que chegou George Bush?
Quando Saddam era presidente os judeus de Bagdad
andavam à vontade nas ruas da cidade,
mas agora têm de ser protegidos por mercenários bem pagos…

Quantos iraquianos fugiram do seu país em comparação com os
dois milhões de trabalhadores estrangeiros que estavam bem empregados
no Iraque antes de que o George chegasse…

Não é preciso ter um Doutoramento em Ciências Políticas,
nem ser especialista em história do Médio Oriente…
Acenda a sua televisão!
Se a Al-Qaeda alguma vez existiu… nunca foi dentro do Iraque,
até e somente depois de que o George chegasse.

A fome, o caos e a guerra civil chegaram depois da invasão do George.
Se os EUA e os seus paus-mandados se retirassem do Iraque
na tarde da próxima sexta-feira,
a paz voltaria… na manhã da seguinte segunda-feira.

Nunca houve armas escondidas,
nem vamos ver nenhuma democracia!


Boa-noite! Adeus!
E para a próxima vez deixem os vossos “Georges” em casa
e com trela…

Raja Chemayel
19 de Setembro de 2007