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terça-feira, 18 de março de 2008

Há cinco anos…







Há cinco anos,
chegaram os… “libertadores”.
Trouxeram a democracia enlatada,
Ahmed Chalabi, Allawi e Maliki.

Há cinco anos,
tiraram um regime autoritário
apenas para o substituir por caos, teocracia,
feudalismo e desordem.

Há cinco anos,
os mullahs foram fechados nas suas mesquitas,
os curdos foram confinados ao seu Curdistão,
os chefes tribais ficaram em casa e
os iranianos precisavam de visto
para visitar o Iraque.

Agora,
Al-Qaeda e Blackwater
reinam nas ruas de Bagdad,
Halliburton controla o Ministério do Petróleo,
os carros-bomba regulam o trânsito da cidade
e todos os visitantes oficiais devem viajar incógnitos
com excepção do presidente Ahmadinejad.

Há cinco anos,
a educação, o pão e a electricidade
estavam disponíveis a preços acessíveis.

Há cinco anos,
os israelenses que viajam a Bagdad,
eram considerados espiões e
arriscavam-se a ser alvo de um esquadrão de execução.
Hoje, os esquadrões de execução, os torturadores,
os juízes e os carcereiros são israelenses.

Raja Chemayel
Há cinco anos, eu era cinco anos mais jovem
18/03/08

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Prognósticos



Obviamente,
os republicanos vão perder estas eleições com qualquer candidato,
porque o povo quer castigá-los,
não por terem mentido sobre o Iraque,
não por terem invadido o Iraque e o Afeganistão,
mas por perder a guerra no Iraque.

Os democratas ganharão seja quem for o candidato,
de cor ou mulher, e até uma mulher de cor.

As únicas perguntas que ficam no ar, são:
A Monika Lewinsky recuperará o seu trabalho no Gabinete Oval?
O Iraque verá alguma classe ou tipo de democracia?
Israel terminará o seu muro…
até a Zona Verde de Bagdad?
Mubarak irá reformar-se em 2014?
As companhias israelenses bombardearão o petróleo de Darfur?
Será legalizado o ópio no Afeganistão…
para depois se vender exclusivamente a Halliburton?
O clã Hariri, em Beirute, revelará finalmente as suas cores?
O senhor Bernard Kouchner obterá
uma licença de residência em Beirute?
Haverá mais alguma conferência de paz entre Israel e a Palestina,
após Mubarak se reformar ou antes do Pólo Norte derreter?
O aquecimento global alcançará a Guerra Fria?
E finalmente,
alguém me pode dizer qual é
a diferença entre um republicano e um democrata?



Eng. Moustafa Roosenbloom
Prognosticador de prognósticos
11/02/08

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O novo Nero


Desenho de Juan Kalvellido ©

Os cristãos nunca incendiaram Roma
e
os muçulmanos não bombardearam as Torres Gêmeas.

Em Junho de 1967 o Egipto não invadiu Israel
ocorreu o contrário.

A Palestina não ocupou Israel,
e, em 1939, a Polónia não invadiu a Alemanha.

Cristóvão Colombo nunca chegou à Índia
senão a um novo continente…

Os cristãos não incendiaram Roma,
mas
o novo Nero incendiou Bagdad
e parte de Beirute, porque
este novo Nero não se atreverá a atacar Teerão.

Gaza não tem Israel cercado
e
Telavive não é governada por Ramallah.

Roma sobreviveu aos cristãos
e
esses cristãos até ocuparam Roma.

Quando é que Gaza governará a Palestina?
Quando é que o novo Nero vai aprender
que a força sem justiça
não valida luta alguma!

Raja Chemayel
Com aspirações de ser poeta, apesar do inevitável ser mais rápido…
09/02/08

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

“Marcas Registradas” para evitar confusões



As marcas registradas comerciais
são uma norma de registro internacional para proteger nomes,
símbolos e logótipos comerciais.

Não é uma prova a 100% que ninguém o copiará
ou tentará copiar...

Eu, por exemplo, tenho uma imitação de relógio suíço
com um nome muito ilustre… por três boas razões:
primeiro porque me parece bem,
em segundo lugar porque só custou 100 dólares,
e em terceiro lugar porque este relógio
serve para o meu propósito de parecer
socialmente melhor às custas de outros.

O mesmo acontece com a Al-Qaeda (Al Kayda ou El Caiida),
que ainda não foi registrada como marca comercial registrada.

Ou seja, o que está a acontecer é que ninguém e todos
podem usá-la e usam-na para os seus próprios propósitos...
Alguém assassinou Benazir Butto,
outros estão activos na Argélia,
outros estão a estacionar os seus carros sem cuidado em Bagdad,
outros usam o metro de Londres…
Hoje em dia estão em Marrocos e amanhã estarão nas Ilhas Fiji…
E o mais famoso teve lugar em Manhattan... lembram-se?

Por isso o que devemos fazer é obrigar o seu criador, a CIA,
a registrá-la oficialmente...
E em segundo lugar a lembrar-se da maneira de a pronunciar
Al CAIDA ou Al CIADA
Al-Qaeda ou El Kaiida
para assim evitar imitações, cópias e outros abusos.

Eng. Moustafa Roosenbloom
Gerente do Escritório de Registro de Marcas Comerciais
Terceiro dia de 2008

P.S.:
George Bush registrou uma marca comercial para a “Democracia.”
Israel solicitou a de “donos da Palestina”.
Os sionistas solicitaram a de “vítimas de terrorismo”.
Os judeus solicitaram a de “únicas vítimas de genocídio”.
Os palestinos solicitaram a da “paz dos corajosos”.
Os italianos solicitaram a do “grande amor da mãe”.
Os alemães solicitaram a de “sei tudo”.
E, finalmente, os libaneses solicitaram a de “mais inteligente que os outros”.

domingo, 4 de novembro de 2007

Provavelmente a história mais curta…

Actualmente os EUA estão a construir
a maior embaixada de sempre,
em qualquer parte do mundo,
para os seus diplomatas em Badgad.

Os funcionários do corpo diplomático dos EUA
estão a recusar ir para lá trabalhar…

... fim da história.

Sherlock Hommos
Um contador de histórias muito curtas
04.11.07

sábado, 29 de setembro de 2007

Ópio, oportunidades e opiniões

Se um ocidental tem cinco namoradas,
deixa três delas, engravida as outra duas
e se casa com a sexta, só para depois se divorciar,
chamam-no playboy!

Quando um árabe tem mais de uma namorada,
chamam-no infiel,
macho ou macho chauvinista
senão maníaco sexual.

Quando Saddam Hussein ocupou o seu Koweit,
chamaram-no invasor, ditador e “ameaça a paz”,
quando George Bush bombardeia Bagdad
chamam-no “distribuidor da democracia”.
Quando os talibãs proíbem o comércio de ópio
no Afeganistão e também a sua exportação
para o ocidente chamam-nos perversos
e uma ameaça para o ocidente.
Quando as forcas da NATO esperam que
de outra maneira as exportações de ópio
para o ocidente aumentem …
Ninguém encontra uma palavra para descrever isto.

Quando um piloto israelense bombardeia
a central eléctrica de Beirute chamam-no “herói”,
quando um palestino viaja num autocarro israelense
cheio de colonos ilegais e de militares
a caminho do trabalho… chamam-no terrorista!

O Presidente Ahmadinejad não detém uma execução
totalmente legal de um criminoso condenado em Teerão…
enquanto o Presidente Bush nunca deu nenhuma amnistia,
nem adiamento, aos prisioneiros no corredor da morte…
E depois o Professor Lee Bollinger
chama ao Presidente Ahmadinejad
“ditador mesquinho”…

Quando o Presidente Ahmadinejad propôs
que se apagasse do mapa um estado agressor,
ilegal e ilegítimo chamado Israel,
chamaram-lhe tirano e anti-semita.
O que é que devemos chamar ao Presidente Bush
por apagar praticamente o Iraque do mapa?

Quando Bollinger se queixa
dos prisioneiros “inocentes” em Teerão…
o que é que devemos chamar aos prisioneiros
da Baía de Guantánamo?

Quando um russo de olhos azuis
que nem sequer é semita, e muito menos judeu,
chega à Palestina, chama-se a isto a “lei dos retornados”.
Os palestinos que estão exilados,
ou a viver debaixo da ocupação não têm nome…
chamam-lhes “os filhos de um Deus inferior”.

Raja Chamayel
À espera que o Professor Bollinger fume ópio afegão
e termine numa prisão do Bush
e tenha o Presidente Ahmadinejad como seu advogado…

29 de Setembro de 2007

Visite o meu blog antes que o Professor Bollinger o faça!!
http://frustratedarabdiary.blogspot.com

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O dia em que o George chegou


Desenho de Ben Heine©

Comparemos quanta pilhagem está agora a ter lugar
no Museu Nacional Arqueológico de Bagdad
e noutras partes do Iraque, à era do regime de Saddam.

Comparemos quanto contrabando e roubo de petróleo existe agora
em comparação com os tempos em que Saddam era presidente.

Juntemos a isto violações, roubos, assaltos e por último,
mas não menos importante, a limpeza étnica generalizada.

Quantas igrejas se construíram durante o reinado de Saddam
e quantas mesquitas foram destruídas desde que chegou George Bush?
Quando Saddam era presidente os judeus de Bagdad
andavam à vontade nas ruas da cidade,
mas agora têm de ser protegidos por mercenários bem pagos…

Quantos iraquianos fugiram do seu país em comparação com os
dois milhões de trabalhadores estrangeiros que estavam bem empregados
no Iraque antes de que o George chegasse…

Não é preciso ter um Doutoramento em Ciências Políticas,
nem ser especialista em história do Médio Oriente…
Acenda a sua televisão!
Se a Al-Qaeda alguma vez existiu… nunca foi dentro do Iraque,
até e somente depois de que o George chegasse.

A fome, o caos e a guerra civil chegaram depois da invasão do George.
Se os EUA e os seus paus-mandados se retirassem do Iraque
na tarde da próxima sexta-feira,
a paz voltaria… na manhã da seguinte segunda-feira.

Nunca houve armas escondidas,
nem vamos ver nenhuma democracia!


Boa-noite! Adeus!
E para a próxima vez deixem os vossos “Georges” em casa
e com trela…

Raja Chemayel
19 de Setembro de 2007

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A voz do seu mestre

Na Ucrânia o primeiro-ministro
e o presidente não estão de acordo em nada.

No Líbano também o primeiro-ministro
e o seu presidente não se falam.

Na Palestina o presidente teme e evita
o seu primeiro-ministro.

Em Israel o presidente foi apanhado num escândalo sexual
por isso teve de se demitir,
e o seu primeiro-ministro não pode ter relações sexuais…
por isso bombardeia Beirute e Gaza, para mostrar alguma potência de macho.

Mas o melhor caso está em Bagdad.
Porquê?
Porque lá reina a verdadeira democracia:
o primeiro-ministro e o presidente
nunca discutem, nunca tem divergências
nem desentendimentos.

Deve haver outra razão para este modelo de êxito bagdadiano
sem ser a verdadeira democracia importada congelada
e pronta para consumir, que vem dos EUA.

O verdadeiro segredo é que o presidente fala curdo
e o primeiro-ministro fala farsi (persa).

Enquanto na Ucrânia falam os dois ucraniano
e na Palestina e Líbano falam os quatro árabe.
Em Telavive falam ambos uma língua artificial
inventada para que se sintam como um só povo.

De qualquer maneira,
como eu disse, Bagdad é o lugar para se estar…
o governo fala duas línguas diferentes
que até são diferentes da que as pessoas falam na rua
e mesmo diferente do inglês,
que é a língua e a voz dos mestres deles.

De alguma maneira é:
um reviver dos acontecimentos da Torre de Babel,
na terra de Babel.

Por outras palavras,
7658 anos após as confusões de comunicação na Torre de Babel, prova-se agora que quando as línguas são diferentes, unem aqueles que não podem falar (ou aqueles que não dizem nada).

Raja Chemayel
promotor das comunicações babilónicas

terça-feira, 29 de maio de 2007

Os cowboys, os persas e os asquenazes

Ontem teve lugar uma reunião,
em Bagdad:
o embaixador do Irão e o embaixador dos EUA.
E o anfitrião foi o primeiro-ministro da Zona Verde.

No lado esquerdo daquela mesa sentou-se a delegação dos invasores,
no lado direito sentou-se a delegação dos intrusos,
na cabeceira da mesa, sentou-se um fantoche que tem o coração com os intrusos
e o resto do corpo vendido aos invasores…

Israel não foi representado nesta reunião,
embora estivesse muito presente.

Porque é que eu digo isto?

Primeiro porque os invasores invadiram o Iraque por causa e em nome de Israel.
Segundo porque os intrusos serão deixados em paz se e quando pararem de
“incomodar” Israel com uma bomba atómica que ainda não têm.
Por isso o Iraque seria a moeda de troca entre os EUA e o Irão.

Por isso, aqui temos três entidades não árabes:
o Irão, os EUA e Israel
juntos numa conferência organizada por um regime que tem um presidente curdo
e um primeiro-ministro que é um fantoche que dança para dois fantocheiros.

Todas as potências e pseudo-potências presentes e potências ausentes são não-árabes a decidir o destino e futuro de um país árabe.

A capital dos Abássidas
que já foi a capital do mundo,
o lugar de nascimento da civilização
e o berço de Abraão,
o lugar de nascimento do primeiro código civil,
está nas mãos de:
cowboys e persas ambos vigiados de muito perto pelos asquenazes.

Raja Chemayel
um árabe sem capital…