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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Gaza, o símbolo


Desenho de Ben Heine©

O Ocidente tirou a Síria do Líbano,
mas será que o mundo inteiro consegue tirar o Líbano da Síria?

Os israelenses retiraram todos os seus colonos ilegais de Gaza,
mas será que o mundo inteiro pode parar a pressão militar de Israel em Gaza?

Masada, La Commune, Potemkin, El Álamo e o Gueto de Varsóvia,
desvanecem-se num mar de banalidades… com todo o respeito!
Entretanto Gaza substitui todos
os símbolos das resistências de libertação.

Onde estão Sarkozy e Bush?
Por que não pedem a Israel para deixar Gaza em paz?

Raja Chemayel
23.01.2008

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Que será, será...

Os patrocínios no desporto
são antes de mais nada
uma questão de prestigio.

A Malboro patrocina um carro de Formula Um
e espera que este ganhe a outro carro
que é patrocinado por outra marca de tabaco.

Também no futebol sucede o mesmo
e o exemplo mais recente é a equipa holandesa, PSV,
que ainda é patrocinado por um e apenas um
patrocinador exclusivo: PHILIPS!
Os especialistas em futebol podem confirmar isto…

Nas regatas de iates,
os bancos e as companhias de seguros competem,
e Rolex escolheu Golf como o seu cavalo de batalha.
O que é que isto tem a ver com as eleições presidenciais
Em Beirute daqui a menos de 24 horas??

Elementar, meu caro Watson!!

A embaixada francesa patrocina um dos candidatos,
a embaixada dos EUA outro,
e a União Europeia gostaria de
dar um empurrãozinho a um terceiro,
mas não tem orçamento para jogos tão caros.
A Mossad apoia totalmente a embaixada dos EUA,
o que é muito mais barato, se não totalmente grátis.
A Síria prefere um e não o outro,
embora muitos chamem a isto “interferências sírias”.
Como se os outros não estivessem a interferir!

Começou a corrida presidencial
e amanhã teremos uma ideia de quem será o vencedor.
Se ele ou ela tiver um carro blindado mais forte
do que as bombas da Mossad.

Obviamente Rafik el Hariri não teve
estas precauções de luxo,
porque o seu carro blindado era
apenas à prova das bombas sírias.

De qualquer maneira, esta noite vamos dormir
e amanhã felicitaremos o embaixador dos EUA
ou o francês, ou o iraniano, ou incluso a Mossad.

Boa noite! Durmam bem!
Amanhã será outro dia…

Sherlock Hommos
Em “vésperas da democracia”
ajudado pela diversidade da influência…

24 de Setembro… um dia antes de amanhã…

sábado, 22 de setembro de 2007

Portugal e Espanha, Líbano e Síria

Daqui a uns dias,
o Líbano deve eleger um novo presidente.

O novo presidente deve ser pró-Síria ou pró-sírio?
Onde está geograficamente o Líbano?
O Líbano está entre Portugal e Espanha talvez?
Ou foi arrancado da Síria?

Porque não deve um presidente libanês ser pró-sírio?
Preferiam um presidente pró-democracia,
Como Hosni Mubarak? Ou um pró-democracia como
o rei Abdullah da Jordânia?
O que o ocidente chama líderes “moderados”?
Quando na realidade se referem
a governantes “castrados”?

Deve o presidente da Terra dos Cedros
ser mais leal ao país que produz os vinhos Bordeaux?
ou um lacaio do país que nos deu Kentucky Fried Chicken?

Para aqueles libaneses que reivindicam que o Líbano e a Síria
foram dois países diferentes, devo recordar-lhes que
todos os seus avós nasceram como cidadãos sírios,
(a menos que fossem arménios a viver no Líbano).

A expressão “pró-sírio” usa-se como uma reprimenda,
se não como uma acusação…
Que outro “pró” preferiam?
Como pode um país de 220 km de comprimento
e 60 km de largura
estar isolado ou ser tão especial??
Somos um Mónaco, um Liechtenstein ou um São Marino?

Quem for eleito será um pró-algo…
Culpariam o presidente português se fosse pró-Espanha?

Se não gostamos da Síria, melhoremos a Síria,
em vez de nos escondermos nas saias de Condoleezza Rice,
em nome da Democracia e
em nome da independência libanesa.

Porque é que Bernard Kouchner deve
visitar 5 vezes o patriarca maronita libanês?
Bernard vai-se converter em maronita?
Ou o patriarca tornar-se democrata?
E o embaixador dos EUA no Líbano visitou
o mesmo Patriarca,
mais vezes do que a sua própria esposa!

Saad el Hariri é mais saudita do que
qualquer outra coisa que eu conheço…
E os aliados da sua coligação são pró-Israel, pró-EUA,
ou pró-França, mas nenhum deles é pró-honestidade…

Se em Portugal se falasse espanhol em vez de português,
iam querer separá-lo de Espanha?

O Líbano fala o mesmo árabe que a Síria,
temos até as mesma danças folclóricas e a mesma cozinha.
Não conheço nenhum libanês que não tenha familiares na Síria!

Tanto o Líbano como a Síria têm ambos menos de 6000 anos,
mas as suas fronteiras (separação) foram traçadas
apenas há 62 anos,
de maneira que ser pró-Síria é mais do que natural e realista.

A Alemanha agora está reunificada e
ambas partes da Síria estão constantemente
e ansiosamente separadas
por aquelas mesmas potências
que criaram essa separação artificial.

Um presidente libanês não pró-Síria é
um separatista e um renegado que foge da verdade.

Portugal sem Espanha é uma ilha.
O Líbano sem a Síria não é o Líbano!

Raja Chemayel
Um libanês porque sou sírio!
22 de Setembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Dois provérbios… a mesma vítima…


Beirute 19/09/07

Há apenas uma hora
explodiu uma bomba em Beirute, que matou um político
e
há 5 minutos, eu escrevi o seguinte:

Um provérbio árabe diz:
o inimigo do meu inimigo é meu amigo
e
o amigo do meu inimigo é meu inimigo.


Mas este provérbio tem de ser renovado
e deve fazer-se um "face-lifting"
ou apenas um ajuste à situação de hoje.

Um provérbio israelense diz:
para bombardear o inimigo do teu inimigo
dirige as suspeitas ao teu inimigo,
e
para bombardear o amigo do teu amigo
dirige as mesmas suspeitas (também) ao teu inimigo.

De alguma maneira a Síria deve estar agradecida
por Israel se ter encarregado dos seus opositores no Líbano.


Raja Chemayel
19.09.07 às 18.46 horas

sábado, 15 de setembro de 2007

O jogo da culpa



O Presidente dos Estados Unidos da América
ouviu os conselhos da CIA
e por isso invadiu o Iraque.

Hoje, esse mesmo presidente aconselha-se com o General Petreaus
sobre como retirar do Iraque (inteiros).

Este mesmo presidente teve seis conselheiros
(e por acaso, todos da mesma religião)
e entretanto, todos perderam o seu emprego
por razões diferentes, mas sobre tudo pelas derrotas no Iraque.

São muitas as razões do desastre total no Iraque
e as opiniões sobre quem é culpado diferem:

O General Petraeus culpa a Al-Qaeda
Condi Rice culpa o Irão
George Bush culpa o terrorismo global
Ehud Olmert culpa a Síria
a minha sogra culpa a minha escrita
Hilary Clinton culpa os veículos Hummer não blindados
Barak Obama culpa o jet lag das tropas
Al Gore culpa o aquecimento global
Ossama Bin Laden culpa os infiéis
os dois milhões de refugiados culpam
o Alto Comissariado para os Refugiados
e
um milhão de mortos culpam…
ninguém, já não culpam ninguém.

Pessoalmente, eu culpo muitas pessoas,
mas culpo principalmente o único ganhador deste jogo:
O Estado de Israel… quem mais??

Raja Chemayel
Sem culpa… mas frustrado!!
15 de Setembro de 2007



Visitem o meu blog antes que o General Petreaus se demita também!!

http://frustratedarabdiary.blogspot.com

sábado, 8 de setembro de 2007

O monte Hermon e as vítimas escolhidas

Ao voltar do seu Iraque
Abraão subiu ao cume do monte Hermon
e, segundo a Bíblia, Deus disse-lhe:
“olha para esta terra que eu te vou dar…”
Pergunta:
Abraão estava a olhar para este ou oeste?
norte ou sul?
Ou Abraão olhou 360 graus à sua volta?
Do cume do monte Hermon
pode-se ver Damasco, Beirute e Telavive,
por isso, para que lado é que Deus queria que Abraão olhasse??
Além disso,
quando Abraão estava ali, de pé, a olhar
a Síria estava habitada, o Líbano estava habitado
e a Palestina também estava habitada…
Por isso, a minha segunda pergunta seria:
Deus Todo-Poderoso pediu a Abraão para roubar
a terra dos fenícios
ou a terra dos aramitas
ou a terra dos canaanitas??
Quem foram as “vitimas escolhidas”?

A história ensina-nos que
quando Abraão foi para aquela terra,
quando Moisés chegou aquela terra,
quando David Ben Gorion roubou aquela terra,
ela estava habitada e povoada por pessoas pacíficas
que nunca prejudicaram ninguém
e especialmente nunca prejudicaram Abraão,
nem Moisés nem Ben Gorion.
Por isso, devo assumir que a Bíblia foi mal interpretada,
mal contada ou simplesmente mal usada.
A não ser que Deus tenha querido castigar os inocentes,
as “vítimas-escolhidas”
, mandando um ladrão
chamado David Ben Gorion e o seu bando de sionistas.
A ironia permanece porque Ben Gorion
não é neto de Abraão
mas Yasser Arafat e Ismail Haniyyah são.


Raja Chemayel
um fenício sortudo
porque Abraão olhou “para o outro lado…”


8 de Setembro de 2007

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Dez passos para chegar ao Israóleo

Primeiro,
dizemos que o Presidente Saddam era um ditador perverso
em segundo lugar,
acusamos Saddam de ter Armas de Destruição Massiva
em terceiro lugar,
bombardeamos e invadimos o Iraque.
Em quarto lugar,
declaramos que a agressão barbárica é uma “missão cumprida”
pelo bem da democratização no berço da civilização.
Em quinto lugar,
promovemos, iniciamos e organizamos o caos total no Iraque
levando ao poder os senhores da guerra, os poderes feudais, os mullahs
e até os ladrões + 107.259 mercenários.
Em sexto lugar,
perdemos a guerra e depois culpamos a Al-Quaeda
e tentamos encontrar uma saída...
Se não, passamos ao número 7…
Em sétimo lugar,
invadimos o Líbano, como distracção, porque Israel
fracassou de todas as maneiras e repetidamente também.
Em oitavo lugar,
se nunca encontrarmos as armas de Saddam escondidas no Líbano,
então continuamos (de acordo com o planeado) a procurá-las, na Síria...
Em nono lugar,
depois de devastar, destruir e arruinar a Síria, também,
o último, e décimo passo, será declarar tudo isto um êxito total,
e tudo em benefício de Israel...

Claro!

Posso estar enganado, por isso aceitaria quaisquer
outras análises ou acusações.
Até lá eu digo:
“Foi tudo feito pelo bem de Israel”
ou melhor “pelo bem do Israóleo”.


Eng. Moustafa Roosenbloom
Procurando o petróleo kosher
Último dia de Agosto de 2007

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Justiça politizada

Desenho de Ben Heine©

É difícil entender a política.
E a política libanesa é compreensivelmente mais difícil.
O Conselho de Segurança é simplesmente uma ferramenta nas mãos daqueles que têm o direito de veto. Como se o voto fosse democrático em qualquer sentido ou situação.
Ontem o Conselho de Segurança decidiu estabelecer um Tribunal Internacional para investigar e julgar o assassínio do primeiro-ministro Hariri e outros jornalistas e políticos.
Os que se opõem a este Tribunal não gostam dos juízes.
Os que estão de acordo não gostam do acusado.
Os que não concordam com esta farsa internacional têm medo porque vêem que o veredicto já está feito (e com sete cópias dactilografadas) mesmo antes da primeira audiência ter começado.
Os que estão de acordo com este Tribunal já reservaram os seus lugares na primeira fila para ver a execução…

Que comece o espectáculo:

Os EUA providenciarão todos os juízes.
A França tratará da comida e da bebida.
O Reino Unido providenciará as perucas para os advogados e a acusação.
A CIA providenciará todas as testemunhas e o Mossad todos os álibis.
O FBI contratará os tradutores e os laboratórios forenses.
A Arábia Saudita pagará todas as contas e os subornos.
E a Síria terá de providenciar, exclusivamente, o acusado.

E eu e você sentar-nos-emos e assistiremos… tranquilamente.
E se estiver ocupado, e com certeza tem coisas mais interessantes para fazer,
espere e volte no dia 8 de Outubro de 2015 às 15:30,
que é quando terão lugar as execuções.

Entretanto,
Jacques Chirac e Abdelhalim el Khaddam
não pagam a renda dos apartamentos de luxo em Paris
que a família Hariri lhes ofereceu, gratuitamente.
Isto até ao dia 5 de Outubro de 2015,
tudo dependendo de quem será enforcado, claro!
Porque no caso de não haver enforcamento
a Síria será invadida e liberada tal como o Iraque…
Ou o Chirac e o Khaddam serão despejados dos seus apartamentos.

Raja Chemayel
um libanês que gostaria de não ser enganado

sábado, 26 de maio de 2007

Tripoli, Riade e Langley, Virgínia



Como se pode ser fiel ao Islão,
depois de matar 33 soldados libaneses??

Como se pode ser fiel a causa da Palestina,
convidando a guerra civil a entrar num campo de refugiados??

Realmente não sei,
a menos que o "Fateh el Islam" não seja nem Fateh nem muçulmano!!

Sabendo o que eu sei,
o Fateh el Islam é financiado pelos sauditas e os EUA.

Vendo o que eu vi,
o Fateh el Islam está a sabotar a unidade libanesa
e a sabotar a solidariedade social líbano-palestina.

Suspeitando do que eu sempre suspeitei,
a Síria está a ser satanizada e novamente considerada responsável.
E o Hamas e o Hezbollah podem ser intencionalmente confundidos
com o próprio Fateh el Islam.

Conclusão
É melhor culpar a quem seja que nos enviou o "Fateh el Islam"
e exigir aos nossos irmãos muçulmanosque proíbam o Fateh el Islam, de usar o nome Islam.
E pedir que a OLP não os hóspede nos seus campos…
E condenar o governo libanês por lhes permitir estarem em
terra libanesa…

Por favor,
mandem-nos para Langley, Virgínia ou para Riade
e que levem com eles Fouad Siniora como bagagem de mão,
afinal de contas, ele é tão pequeno!!
Sherlock Hommos

P.S.:
O Fateh el Islam é a maça podre
numa caixa cheia de Islão de Libertação limpo e saudável!!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Uma rua chamada Verdun


Dedicado ao meu amigo Nabil F.A.
um cristão que nasceu e vive na rua Verdun


A CNN noticiou que uma bomba explodiu
numa rua chamada Verdun… em Beirute.
A CNN acrescentou que esta é uma “rua de muçulmanos sunitas”

Que engraçado!
Eu fui à escola primária nesta rua Verdun, nos anos cinquenta
e não era sunita nem nada que se pareça…

Durante a Guerra Civil, o meu advogado cristão
e o meu amigo de infância viviam lá
e ainda lá vivem os dois,
entre milhares de libaneses cristãos.

Por isso, a CNN não deve evocar uma guerra civil
nem devia promover migrações sectárias,
que nunca aconteceram!

A juntar a esta charada está o facto:
dos dólares sunitas estarem a financiar os mesmos fanáticos sunitas
que supostamente estão a bombardear uma rua sunita,
chamada Verdun.

Acrescente-se a esta catástrofe preconcebida que:
culpar a Síria repetida e exclusivamente
pode ser contraproducente
e de qualquer maneira já não é plausível.

Claro que a Síria não é um anjo,
mas afinal de contas, a Síria é um país 70% sunita
governado por uma minoria xiita de 15%
que é observada pacificamente pelos outros 15% de sírios cristãos.

Então, porque é que precisamos que a CNN analise e explique
o que acontece numa rua chamada Verdun???
num país árabe multisectário!!
Perguntem também ao Sr. Simon Hersh, que disse hoje, na mesma CNN
Que o dinheiro saudita e da CIA está a financiar os fanáticos sunitas não palestinos.

Verdun:
é o lugar onde a França pós-colonial
travou uma grande batalha contra a Alemanha ainda não fascista…
e nós em Beirute temos de aguentar este nome na nossa rua…
onde supostamente um fanático sunita mata um capitalista sunita.

Confusos???
Deve ser por causa da CNN… não por mim!!

Mas, se a minha opinião contasse para alguma coisa, eu diria:
um sunita do Iraque é melhor do que um xiita lá
e
um xiita do Líbano é melhor do que um sunita na terra dos cedros.
E
a rua Verdun em Beirute deveria chamar-se: rua Voltaire
que é mais honrado para França… e para o Líbano.


Raja Chemayel
Dêem-me Voltaire, quando quiserem!!
Quem é que precisa de Verdun??